Natação Marítima

“Inclusão de conhecimentos, táticas e habilidades específicas de natação utilitária, na maior gama possível de condições do mar, antes de proceder ao manuseio da prancha de surfe”

Iniciando do zero, primeiramente os estudantes se habituarão a interagir com o ambiente do surfe sem o auxílio de implementos externos. A prática será apresentada em um modelo de reduzida instrução oral e elevada estimulação psicomotora. Os estudantes irão interagir com a areia da praia e seus arredores, a água e as ondas, e serão estes os elementos que empregaremos como instrumento ao aprendizado dos primeiros conteúdos específicos (habilidades respiratórias) da Unidade 1 (“Familiarização com o Meio Líquido”).

Essa rotina deverá ser empregada em variados cenários (diferentes condições do mar), e estudantes mais experientes deverão estrategicamente retornar a ela sempre que as condições marítimas excederem a sua zona de conforto (já que compreendemos a familiarização com o meio líquido como um conceito relativo, devido ao comportamento tipicamente dinâmico desse ambiente, selvagem).

Em lugar de oferecer assistência física ou instrução verbal durante os exercícios, os professores devem controlar a segurança nas atividades limitando a quantidade de variáveis ambientais com as quais os estudantes irão se defrontar, equalizando o risco de cada atividade com o estado corrente de aprendizado e treinamento dos estudantes. O uso de implementos externos não deve ser já permitido nessa fase, uma vez que a sua adoção precoce pode desencadear um efeito indesejável sobre a segurança de nadadores marítimos inexperientes (CBA VIII Atividades Especializadas, CBMERJ, Secretaria de Estado de Defesa Civil, 2006).

Óculos de natação, nadadeiras, pranchas e até mesmo estrepes (a cordinha da prancha) são conhecidos por cumprir um papel ergogênico, não apenas no desempenho, mas mais decisivamente na sobrevivência ao ambiente marítimo, ampliando o potencial individual além dos níveis normalmente alcançáveis. Para uma dada condição de surfe, consideraremos o indivíduo pronto para usar um implemento somente se ele for capaz de, em caso de perda do implemento, ainda assim retornar à terra firme em segurança e por conta própria. Do contrário, o uso de implementos externos poderia disparar uma situação extremamente perigosa, possibilitando o desempenho em graus de dificuldade além das reais possibilidades do praticante, pondo a sua segurança em risco.

Na próxima seção, Estado de Natureza, aprofundamos nossa perspectiva sobre a segurança dos estudantes.

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