Livro Técnico

Capa da edição mais recente do nosso livro técnico (foto: Bruno Dana).

Capa da edição mais recente do nosso livro técnico (foto: Bruno Dana).

“NADADORES HABITUADOS À ARREBENTAÇÃO estão um passo à frente no aprendizado do esporte”,
Prof. Bruno Castello da Costa

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Conscientização Orientada da Prática do Surfe resulta de um estudo de escolas de surfe, por nós conduzido entre os anos de 2005 e 2010, e que incluiu pesquisas de campo no Rio de Janeiro e no Havaí, o levantamento da literatura científica relacionada e de publicações afins na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, a confrontação com protocolos de instrução dos Grupamentos Marítimos do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro, e a corroboração de nossa hipótese com experimentações práticas.

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Contracapa de Conscientização Orientada da Prática do Surfe.

Contracapa de Conscientização Orientada da Prática do Surfe.

SUMÁRIO
(paginação segundo a edição impressa)

  • Resumo
  • Prefácio, p.i
  • Introdução, p.1
  • Motivação de nosso estudo, p.2
  • Segurança marítima e autonomia, p.4
  • O surfe e a Educação Física, p.5
  • 1. O Aprendizado do Surfe, p.7
  • O informal: estado de natureza, p.7
  • O formal: as escolinhas, p.10
  • O modelo internacional observado: caso de Waikiki e Puaena Point, p.11
  • O modelo nacional observado: caso da Barra da Tijuca, p.14
  • O modelo de Warshaw, 2005, p.16
  • Restrições do modelo havaiano na Barra da Tijuca, p.18
  • O método natural e as escolinhas de surfe na Barra da Tijuca, p.20
  • Propósito das escolinhas: da expectativa imaginada ao real concreto, p.28
  • O ensino do surfe como negócio, p.29
  • Defesa do estado de natureza como indicador de respeito às individualidades, e da ação pedagógica, formal e precisa, como garantia de melhor eficácia e eficiência do processo de ensino, p.30
  • 2. Aspectos Fisiológicos, Desportivos, Biomecânicos, Pedagógicos, de Aprendizagem Motora e Operacionais no Surfe, p.33
  • Aspectos fisiológicos, p.34
  • Aspectos desportivos, p.35
  • Aspectos biomecânicos, p.35
  • Aspectos pedagógicos, p.36
  • Aspectos de aprendizagem motora, p.38
  • Aspectos operacionais, p.39
  • 3. Aspectos Psicossociais no Surfe, p.41
  • O universo imaginário dos praticantes de surfe, p.41
  • água e os sonhos, p.42
  • Esportes de aventura e risco na natureza, p.45
  • Origem e evolução do surfe, p.48
  • O surfe e o lazer, p.58
  • 4. Aspectos Ambientais e Técnicos no Surfe, e suas Implicações Pedagógicas, p.63
  • Categorias do espaço desportivo na perspectiva de Pierre Parlebas, p.63
  • O advento do estrepe e a importância da natação, p.65
  • Taxonomia bidimensional de Gentile e progressão pedagógica, p.69
  • 5. Conscientização Orientada da Prática do Surfe, p.73
  • Organização didática do método, p.73
  • Unidade 01 – Familiarização com o meio líquido, p.77
  • Unidade 02 – Aspectos do relevo submarino que influenciam o surfe, p.83
  • Unidade 03 – Estudo físico das ondas, p.93
  • Unidade 04 – Natação marítima, p.111
  • Unidade 05 – Natação marítima com retorno pela onda: surfe de peito, p.117
  • Unidade 06 – Familiarização terrestre com a prancha, p.125
  • Unidade 07 – Familiarização marítima com a prancha, p.133
  • Unidade 08 – Natação marítima com a prancha, p.144
  • Unidade 09 – Natação marítima com a prancha com retorno pela onda: surfe, p.146
  • Unidade 10 – Temas transversais, p.153
  • Duração: continuidade versus imediatismo, p.157
  • Bibliografia para aprofundamento no estágio não-supervisionado, p.158
  • Faixa etária: atenção e cognição, p.159
  • Curso coletivo: classificação, nivelamento e acompanhamento, p.160
  • Capacitação prático-teórica em natação marítima e salvamento aquático, p.161
  • 6. Considerações Finais, p.163
  • Referências, p.165
  • Anexos, p.171
  • Avaliação da aprendizagem, p.171
  • Exame continuado, p.172
  • Autoexame, p.173
  • Plano de curso, p.174
  • Sobre os Autores, p.181
  • Agradecimentos, p.181

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*** APRESENTANDO ***
PADRÃO-OURO NO ENSINO DO SURFE

“Este TEXTO é REALMENTE INÉDITO em seu tema de estudo, REFERÊNCIA OBRIGATÓRIA a trabalhos futuros”, Prof. Dr. Nicholas Ford (autor, com David Brown, de “Surfing and Social Theory: the experience, embodiment and narrative of the dream glide”, Routledge, 2006; ex-avaliador externo dos cursos de graduação em surfe no Reino Unido)

WP capa início4

Conscientização Orientada da Prática do Surfe” é uma análise acadêmica sobre a pedagogia do surfe, conduzida por pesquisadores vinculados ao Laboratório de Biomecânica e Comportamento Motor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Revisou-se a literatura acadêmica versando sobre o surfe e a Educação Física, no intuito de prover os professores da modalidade com um racional científico norteador da tomada de consciência dos estudantes sobre a sua prática esportiva.

Referências ao nosso estudo incluem publicações científicas em pedagogia, didática, aprendizagem motora, fisiologia, treinamento desportivo, anatomia, biomecânica, imaginário social, oceanografia, biologia marinha e treinamento militar, além de obras jornalísticas, artísticas e literárias sobre o surfe.

Nosso projeto foi concebido como referencial prático e teórico aos profissionais envolvidos no ensino do surfe (professores e estudantes de Educação Física, e instrutores em geral), bem como visando permitir a instrumentalização deste esporte pelo Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro, em seus cursos de salvamento marítimo.

Sua estrutura metodológica dispensa o fenômeno da “assistência motora direta e verbal indevida” ao longo do ensino; alternativamente, apresentamos estratégias e defendemos o estado de natureza como indicador de respeito às individualidades, e da ação pedagógica, formal e precisa, como garantia de melhor eficácia e eficiência do processo pedagógico.

ABORDAGEM PEDAGÓGICA

Inferindo a partir de observação diária, em um significativo número de ocasiões presumimos ser possível distinguirmos surfistas que aprenderam a surfar em escolinhas de surfe de outros que tenham aprendido por conta própria. Listamos um grupo de características psicomotoras para auxiliar na diferenciação desses 2 grupos, e levantamos a hipótese dos modelos de ensino de escolinhas de surfe poderem ser otimizados pelo emprego de uma abordagem científica.

Suspeitamos que o fenômeno da assistência motora direta aos estudantes seja capaz de distorcer as suas interações com o ambiente, podendo levar ao estabelecimento de padrões motores imprecisos e concepção equivocada da real dimensão dos perigos marítimos.

Em acréscimo, a interferência na aprendizagem motora pode ser agravada se for dada preferência à estimulação auditiva, em detrimento da visual, nos estágios iniciais do pegar ondas. O desenvolvimento da ativação motora pela estimulação visual pode ficar prejudicado em alguns modelos de ensino se a atenção requerida para a leitura das ondas estiver sendo majoritariamente direcionada por ordenação verbal.

Propomos um plano de 10 unidades, rumo à conscientização acerca dos diversos requisitos demandados pelo surfe, e à otimização do repertório motor e intelectual, de forma que os estudantes possam futuramente proceder a uma etapa segura de aprendizagem por conta própria.

Ao focarmos a atenção dos estudantes sobre os conteúdos de ensino, um por vez, e suprindo-os com volume e continuidade suficiente de estímulos específicos, buscamos antes consolidar os requeridos graus de aprendizagem motora para então avançarmos ao estudo dos conteúdos seguintes. Ferramentas pedagógicas especiais são empregadas para garantir a segurança desse aprendizado que prescinde de assistência motora direta e verbal indevida.

RACIONAL TEÓRICO

Nossa abordagem será implementada pela adoção de exercícios e atividades projetados para permitir não somente uma compreensão motora dos padrões corretos de desempenho, mas também uma conscientização dos reais requisitos que o ambiente de prática do surfe exige. A aprendizagem será complementada com a aquisição de informação teórica através do estudo dos glossários das unidades, e das fontes e trechos de bibliografia complementar identificados no texto. Em as experiências dos estudantes ocorrendo sob condições livres de assistência motora direta e verbal indevida, concordamos na maior probabilidade de que estímulos livres de interferência eventualmente deverão resultar na formação de padrões motores mais apropriados ao esporte.

Assumindo que o surfe se dá em um meio altamente instável, evidências sugerem que, neste caso, a fim de que possamos concentrar nossa atenção ao máximo nos conteúdos de ensino (minimizando a interferência externa sobre a atenção), devemos antes elevar nossa tolerância às variáveis do ambiente (PARLEBAS, 1988; GENTILE, 1987). Estamos aqui nos reportando ao processo de domesticação do ambiente.

Para o cumprimento desse objetivo, preservando a correta formação motora e segurança dos estudantes ‒ embora procurando manter uma percepção realista dos riscos ‒, ao invés de prover assistência física direta e confiarmos em instruções verbais, introduzimos oportunidades de familiarização com o ambiente e suas naturais possibilidades. Assim, possibilitamo-lhes um gradativo acúmulo de vivências, preferencialmente na maioria das condições em que se manifesta o ambiente do surfe, enriquecendo seu repertório motor ao ponto em que a interferência ambiental sobre o controle de sua atenção possa tornar-se mínima. Estudos teóricos devem ser conduzidos regularmente, para que os estudantes adquiram máxima ciência sobre o contexto que lhes cerca e as ações que devem desempenhar.

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*** INOVAÇÕES ***
PERSPECTIVA SISTÊMICA

“Desmembramento pedagógico do ato de surfar em um processo ordenado de unidades, cada uma encerrando um conjunto previamente definido de conteúdos específicos e progressivos, apresentando aos estudantes blocos de informação simplificados, um por vez, em volume e complexidade tais que favoreçam a consolidação da aprendizagem motora necessária ao estudo dos conteúdos seguintes”

Nosso sistema visa garantir que todos os pré-requisitos tenham sido, de fato, adquiridos antes de avançarmos de um estágio anterior à fase seguinte. Isto se torna possível na medida em que: (i) iniciamos os estudantes com uma prática passo-a-passo, sustentando a necessidade de não acelerarmos o processo de aprendizagem pelas vias da assistência física externa ou instrução verbal indevida; (ii) desenvolvemos uma percepção realista dos riscos à nossa volta, e dos pontos fracos que precisamos melhorar, objetivando ampliar nosso nível de segurança e autonomia marítima.

Nosso objetivo primeiro é prover os estudantes com experimentações motoras não-auditivas continuadas, empregando uma combinação de estilos de ensino (MOSSTON; ASHWORTH, 1986) que os faça meditar e considerar a propriedade da estrutura geral de nossa proposta.

Iniciamos as aulas com uma sessão formal de treinamento físico na qual prevalece o estilo por comando; nesta parte, o comando por voz é permitido no sentido de desenvolver nos estudantes o seu senso de disciplina e um estado de atenção permanente. Nas atividades subsequentes, os estudantes são encorajados a se debruçarem sobre uma dada situação-problema, abrindo caminho para os estilos de descoberta orientada e solução de problemas; neste ponto, os professores mais orientam o roteiro do processo do que nele interferem, incentivando a atividade cognitiva dos estudantes; instruções orais podem ser fornecidas no início e ao final das atividades, para explicar e analisar, mas que devem ser minimizadas durante o seu desenrolar.

Em enfrentando os obstáculos naturais do ambiente sem a ajuda física direta dos instrutores, os estudantes acabarão conhecendo suas próprias limitações, concordando que precisam expandir sua autonomia marítima antes de lidar com situações mais complexas (cenários menos estáveis, previsíveis, manipulação de objeto, etc.), e passando a perceber a praia como um ambiente de treinamento altamente específico e bem equipado ao aspirante consciente do esporte.

Uma vez que os estudantes já não tenham dúvidas quanto à importância de se submeterem a um processo de ensino mais elaborado e que garanta a vivência de etapas fundamentais do seu aprendizado, terão então compreendido por que o trato com a prancha de surfe se inicia não antes da Unidade 6 (“Familiarização Terrestre com a Prancha”).

Tal processo de ensino passo-a-passo implica um progresso sólido e crescente no desempenho dos estudantes, tornando-os conhecedores de cada conteúdo a ser estudado por unidade.

Ao não receberem assistência motora direta, asseguramos que o progresso dos estudantes seja mérito exclusivamente próprio, e que a segurança durante a prática esteja dentro dos seus limites pessoais. No caso em que deliberadamente uma outra pessoa interferisse com auxílio físico, isto poderia significar colocar os estudantes diante de uma situação cujo nível de dificuldade eles provavelmente ainda não estivessem preparados para enfrentar. Alertaremos sobre efeito ergogênico e a autonomia de estudantes despreparados na seção seguinte, Natação Marítima.

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NATAÇÃO MARÍTIMA

“Inclusão de conhecimentos, táticas e habilidades específicas de natação utilitária, na maior gama possível de condições do mar, antes de proceder ao manuseio da prancha de surfe”

Iniciando do zero, primeiramente os estudantes se habituarão a interagir com o ambiente do surfe sem o auxílio de implementos externos. A prática será apresentada em um modelo de reduzida instrução oral e elevada estimulação psicomotora. Os estudantes irão interagir com a areia da praia e seus arredores, a água e as ondas, e serão estes os elementos que empregaremos como instrumento ao aprendizado dos primeiros conteúdos específicos (habilidades respiratórias) da Unidade 1 (“Familiarização com o Meio Líquido”).

Essa rotina deverá ser empregada em variados cenários (diferentes condições do mar), e estudantes mais experientes deverão estrategicamente retornar a ela sempre que as condições marítimas excederem a sua zona de conforto (já que compreendemos a familiarização com o meio líquido como um conceito relativo, devido ao comportamento tipicamente dinâmico desse ambiente, selvagem).

Em lugar de oferecer assistência física ou instrução verbal durante os exercícios, os professores devem controlar a segurança nas atividades limitando a quantidade de variáveis ambientais com as quais os estudantes irão se defrontar, equalizando o risco de cada atividade com o estado corrente de aprendizado e treinamento dos estudantes. O uso de implementos externos não deve ser já permitido nessa fase, uma vez que a sua adoção precoce pode desencadear um efeito indesejável sobre a segurança de nadadores marítimos inexperientes (CBA VIII Atividades Especializadas, CBMERJ, Secretaria de Estado de Defesa Civil, 2006).

Óculos de natação, nadadeiras, pranchas e até mesmo estrepes (a cordinha da prancha) são conhecidos por cumprir um papel ergogênico, não apenas no desempenho, mas mais decisivamente na sobrevivência ao ambiente marítimo, ampliando o potencial individual além dos níveis normalmente alcançáveis. Para uma dada condição de surfe, consideraremos o indivíduo pronto para usar um implemento somente se ele for capaz de, em caso de perda do implemento, ainda assim retornar à terra firme em segurança e por conta própria. Do contrário, o uso de implementos externos poderia disparar uma situação extremamente perigosa, possibilitando o desempenho em graus de dificuldade além das reais possibilidades do praticante, pondo a sua segurança em risco.

Na próxima seção, Estado de Natureza, aprofundamos nossa perspectiva sobre a segurança dos estudantes.

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ESTADO DE NATUREZA

“O estado de natureza como indicador de respeito às individualidades, e da ação pedagógica, formal e precisa, como garantia de melhor eficácia e eficiência do processo de ensino”

Uma motivação a este projeto tem sido a nossa opinião, enquanto professores de Educação Física, de que o professor bem preparado estará melhor posicionado em um processo de ensino que lhe permita intelectualizar, tanto quanto possível, o seu papel em aula.

Os modelos de ensino por nós observados exigem que os instrutores escoltem os alunos iniciantes aonde quer que seja durante as aulas, especialmente dentro d’água. Tais modelos parecem basear-se na satisfação de uma expectativa que assumimos originária de uma ideia equivocada do real significado do esporte, dos reais pré-requisitos que exige, e do tempo que leva para que um iniciante esteja, de fato, surfando com segurança por conta própria. Nestes casos, não somente os padrões motores dos estudantes acabam sujeitos a distorções, mas também os instrutores terminam expostos a uma exaustiva rotina física, o que lhes priva da possibilidade de destinar maiores graus de atenção e energia à observação e análise do desempenho dos estudantes, ademais de provavelmente comprometer a longevidade de suas carreiras no ensino do esporte.

Nosso método almeja conduzir os estudantes por uma viagem através de todo o processo de aprendizagem, abstendo-nos de interferir diretamente e adotando o estado de natureza da sua condição de treinamento como o dispositivo maior de segurança do processo, o conhecimento de cada um evoluindo segundo seu próprio ritmo. Não temos a intenção de acelerar a aprendizagem, concordamos que efeitos colaterais podem ocorrer caso tentemos queimar etapas do processo. (Nota: entendemos o estado de natureza dos estudantes como a condição particular que apresentam, antes de qualquer intervenção pedagógica, quando expostos ao ambiente do surfe.)

Aptidão física e repertório motor evoluirão na medida em que os estudantes forem tomando parte nas atividades propostas. Projetadas para a consecução de propósitos didáticos específicos por meios físicos, as atividades desempenharão um importante papel na educação para o surfe, tanto física quanto intelectual dos estudantes.

Por não receberem assistência física externa, os estudantes estarão constantemente cientes de seus reais limites. Sua segurança resultará de nossa ação em acessar essas limitações e desenvolvermos estratégias para equalizar os níveis de dificuldade ambiental de acordo com as suas possibilidades.

Ao apresentarmo-lhes um novo conteúdo de estudo, deveremos tomar o cuidado de mapear as limitações individuais específicas que se fizerem notáveis. Isto poderá ser logrado fazendo-os experimentar uma versão simplificada das tarefas motoras envolvidas na prática do referido conteúdo, estimando o seu desempenho segundo um conjunto previamente determinado de parâmetros de avaliação.

Seu progresso poderá ser lento, porém consistente. Tomando a teoria da domesticação ambiental em perspectiva, o modelo tradicional das escolinhas de surfe aparenta sofrer de um anacronismo na ordenação de seus conteúdos de ensino. A observação da rotina diária dos instrutores nos sugere que eles dispendem uma quantidade significativa de sua energia no gerenciamento de uma série de riscos ambientais que entram em cena quando os estudantes são expostos às várias atividades de aula, especialmente nos primeiros estágios do aprendizado. Em nossa opinião, a sua fisionomia durante o cumprimento das atividades denuncia o seu desconhecimento de alguns, senão da maioria desses fatores de risco.

Julgamos que os procedimentos tradicionais de segurança que os instrutores adotam podem ser consequenciais a um padrão pedagógico questionável no qual a ordem do processo de ensino-aprendizagem encontra-se baseada. A forma como se inicia o modelo desencadeia um curso de medidas que, em um contexto educacional até poderiam ser interpretadas como ações pedagógicas. De um ponto de vista matemático, no entanto, cremos ser concebível que a dinâmica descrita possa representar senão um conjunto de forças restauradoras evocado para reequilibrar um sistema abalado por algum distúrbio externo. Presumimos ser possível que a abordagem pedagógica corrente subestime a pré-condição de domesticação ambiental que o cenário do surfe impõe àqueles dispostos a adquirir desenvoltura ao ponto em que lidar com os obstáculos do ambiente deixa de ser uma fonte de preocupação, para tornar-se uma oportunidade de evolução. A baixa sensibilidade dos modelos tradicionais à necessidade de familiarização ambiental pode resultar da ênfase excessiva com que se alimenta a expectativa de que os estudantes devam interagir com a prancha no mar já desde o primeiro dia de aula.

Ao direcionarmos a aprendizagem dos estudantes por um conjunto de experiências primeiramente pautadas na domesticação ambiental, a nossa principal estratégia pedagógica de segurança marítima passa a residir na providência do que convencionamos chamar “efeito alargamento de ninho”. Consideramos cada um dos principais elementos naturais que compõem o cenário inicial ‒ considerando antes aqueles de natureza estática, ou menos dinâmicos (calçada, areia, rochas, árvores e vegetação, vento e águas mais calmas e rasas) ‒ e decompomo-los em formas mais simples de favorecer a manifestação e facilitar a vivência das demandas que o surfe nos impinge. Os estudantes devem iniciar a progressão com o estudo isolado de cada elemento ‒ privilegiando sentir e observar as suas possibilidades de interação ‒ para que, em um segundo momento, o estudo composto dos elementos de forma combinada possa ser conduzido com a mínima distração do foco na coordenação dos elementos. (Nota: didaticamente falando, estaremos nos referindo à composição de uma atividade coordenativa de vários elementos como um “estudo de caso”, onde nossa principal preocupação será a de reduzir a interferência ambiental a um mínimo que não atrapalhe a transmissão de conteúdos futuros de ensino.)

Assumimos uma perspectiva educacional marítima preventiva. As práticas didáticas nas primeiras unidades levarão a uma gradual conscientização dos perigos ambientais à nossa volta, e também ao aperfeiçoamento de habilidades fundamentais de natação marítima, promovendo a familiarização com o meio concomitantemente ao refinamento dos componentes de aptidão física e repertório motor.

À medida que os estudantes desenvolvem uma base de intimidade ambiental, as ações pedagógicas podem naturalmente evoluir para assuntos mais voltados ao surfe, redirecionando o foco didático para elementos e casos gradativamente mais instáveis e dinâmicos. Análise e interação com as ondas ganham ênfase, e a natação marítima se desdobra em surfe de peito (bodysurf). A seguir, introduzimos o uso da prancha, e as práticas tendem a ficar cada vez mais específicas com o surfe, propriamente dito.

Portanto, em nosso modelo a progressão pedagógica é considerada sob uma ótica tridimensional: (1) estimulação motora e fisiológica, continuum geral –> específica; (2) exploração ambiental, continuum estática –> dinâmica; (3) exploração ambiental, continuum elemento –> estudo de caso.

“Efeito alargamento de ninho” significa que cada atividade didática precisa ser projetada não somente de acordo com diretrizes pedagógicas, mas também considerando essa ótica tridimensional quando da identificação das restrições específicas dos estudantes para a atividade em questão, permitindo-nos assim estimar o limiar de dificuldade do exercício em torno do qual devemos mirar o desempenho. A manutenção desse limiar deve ser provida e sustentada pelo gerenciamento de fatores ambientais intervenientes. Isto permite que o planejamento pedagógico contemple o engajamento nas atividades independentemente das condições do mar, enriquecendo o processo de familiarização com o meio.

O gerenciamento do ambiente requer, em um cenário inicial, barreiras bem definidas para a delimitação do perímetro de ação de cada atividade. Na razão em que os estudantes vão se tornando mais familiarizados com as possibilidades ao seu redor, a rigidez na delimitação das barreiras tende a ir perdendo importância. Sem interferência externa, os estudantes têm a chance de se observar, compreendendo as suas reais forças e fraquezas, e buscando ‒ pela orientação dos professores ‒ possíveis soluções para superação das diversas situações com as quais se deparam. Enquanto o aprendizado avança, as barreiras de segurança proporcionalmente vão-se deteriorando.

Ao fim de nossa instrução, intencionamos que os estudantes tenham tomado ciência do processo de aprendizagem a ser seguido para o aperfeiçoamento no surfe, dos requisitos que o esporte demanda, e do real risco que representa, tendo desenvolvido um olhar crítico sobre os principais perigos envolvidos, e uma base de conhecimento sobre as habilidades e táticas necessárias à minimização desses riscos. Mais importante, os estudantes terão aprendido a não subestimar o poder do oceano, não importando o quão bem eles possam ter se saído no curso.

Levando em conta que os resultados de aprendizagem podem variar drasticamente entre os estudantes ‒ devido a uma série de restrições individuais naturais, tais como genética, repertório motor precedente, experiência prática esportiva, nível de aptidão física e fatores sócio-econômico-culturais, por exemplo ‒, nosso método foi projetado para nortear a possibilidade de se manter a continuidade na prática e na evolução do esporte, em um estágio avançado não-supervisionado, após um período formal introdutório de aprendizagem supervisionada.

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*** REFERÊNCIAS ***
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*** AUTORES ***
SOBRE OS AUTORES

Este estudo foi motivado por nossa determinação no desenvolvimento de uma estrutura de ensino que permitisse aos estudantes experimentar o que consideramos uma progressão pedagógica mais natural na aquisição de intimidade com o ambiente de praia. Suspeitamos que os professores devam adotar uma perspectiva diferente no processo de ensino-aprendizagem.

Ao invés de proteger os estudantes dos perigos da natureza à sua volta, queremos que eles estudem esses elementos, e que aprendam a explorá-los como oportunidades para o desenvolvimento de suas habilidades e capacidades, em um processo orgânico de familiarização ambiental potencializador da tomada de consciência na prática do esporte.

A longo prazo, esperamos que os resultados de nossa pesquisa tenham sido examinados, corroborados, criticados e filtrados ao ponto de permitir às escolas brasileiras a inclusão de conteúdos elementares de Educação Física Marítima aos seus programas de Educação Física Escolar.

Bruno Ferreira Alves Castello da Costa
Engenheiro de Produção (UFRJ)
Professor de Educação Física (UERJ)
Bombeiro Militar Guarda-Vidas (CBMERJ)

Gabriel Gueiros Nunes
Professor de Educação Física (UERJ)

Rafael Barçante Ladvocat
Professor de Educação Física (UERJ)

Luiz Alberto Batista
Professor de Educação Física (UERJ)
Mestre em Educação (UFF)
Doutor em Ciências do Esporte (Univ. Porto, Portugal)

UFRJ: Universidade Federal do Rio de Janeiro
UERJ: Universidade do Estado do Rio de Janeiro
CBMERJ: Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro
UFF: Universidade Federal Fluminense

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