P.C., lenda viva da Barra da Tijuca

Caros Amigos,

Hoje vamos conhecer um pouco mais da vida do nosso grande amigo e ídolo P.C., uma das personalidades mais famosas e populares da praia da Barra da Tijuca.

P.C. é surfista, exímio jogador de frescobol e futevôlei, além de ciclista, bodysurfer e guarda-vidas. Quem já veio à praia da Barra, muito provavelmente já o viu correndo pela areia, ou conversando com os seus muitos amigos, que o conhecem, o respeitam e o admiram por toda a orla da praia da Barra.

Bem-vindo, P.C.!

Bem-vindo, P.C.!

A entrevista foi realizada neste 31 de março de 2014, e está muito legal! Em nome de SurfingPedagogy.com, agradecemos imensamente esta honra da sua atenção, P.C., foi um prazer poder conhecer um pouco mais dessa pessoa de tão bom coração e amante do mar e da natureza. Aproveitem, pessoal, e saúde a você, P.C.!

***

SurfingPedagogy.com: BOM DIA P.C., TUDO BEM? PODERÍAMOS INICIAR COM VOCÊ IDENTIFICANDO-SE PARA O NOSSO PÚBLICO, POR FAVOR?

P.C.: Bom dia pessoal do SurfingPedagogy.com!

Meu nome é Paulo César Dutra Alves. Tenho 55 anos. Minha profissão é a de Guardião de Piscina.

Atualmente moro no Itanhangá. Sou carioca do bairro do Valqueire, onde fui criado e de onde guardo muito boas lembranças. Pratiquei futebol, e pratico hoje o Frescobol e o Bodysurf (atual Surfe de Peito, antigo “Jacaré”), que são dois esportes que me trazem muito prazer e bem-estar.

Sou uma pessoa que se dedica totalmente a essa praia maravilhosa da Barra da Tijuca. Para aqueles que não pegam onda de prancha, o Surfe de Peito nos permite um condicionamento físico bastante elevado, contribuindo também para fortalecer nossa saúde.

Fico muito satisfeito quando o mar da Barra nos presenteia com boas ondas. Para mim, é uma grande alegria poder viver junto a esta natureza que Deus nos oferece!

P.C. é visto diariamente pelas areias da Barra.

P.C. é visto diariamente pelas areias da Barra.

SurfingPedagogy.com: P.C., COMO VOCÊ VEIO PARAR NA BARRA DA TIJUCA, E, MELHOR DIZENDO, COMO VOCÊ VEIO PARAR TAMBÉM NA PRAIA DA BARRA DA TIJUCA? AFINAL, HOJE VOCÊ É VISTO DIARIAMENTE CORRENDO NA AREIA, JOGANDO FRESCOBOL, FUTEVÔLEI, PEDALANDO, E TAMBÉM PRATICANDO O BODYSURF… COMO COMEÇOU ESSA RELAÇÃO PELA QUAL HOJE VOCÊ É TÃO FAMOSO AQUI NA PRAIA DA BARRA?

P.C.: Eu, quando tinha 15, 16 anos, morava no Valqueire. Jogava Futebol lá, e vinha sempre à praia com um grande amigo – e naquela época já corríamos na areia!

Daí comecei a pedalar também. Comecei a vir do Valqueire para cá de bike, e correr na areia todos os dias.

Como sempre admirei o Surfe de Peito, o Bodysurf acabou se apresentando para mim como um caminho natural, então comecei a praticar também… No começo não tinha pés-de-pato, e ficava um pouco receoso com certo tamanho de mar. A prática constante, junto com minhas primeiras nadadeiras, contribuíram bastante para que aos poucos eu fosse adquirindo mais confiança e passasse a me sentir mais tranquilo.

Não tem nada melhor! A melhor condição para o Surfe de Peito aqui na Barra é quando bate o vento terral, com ondas de um metro a um metro e meio. Com esse mar a gente pega boas ondas e, dependendo do lugar, até alguns tubos, como é o caso aqui do Beton – que é um pico ótimo –, como no Posto 7 também e no Pepê (o Pepê, aliás, é casca-grossa!).

SurfingPedagogy.com: E A SUA TRAJETÓRIA PROFISSIONAL? VOCÊ JÁ TRABALHAVA EM ALGO QUE ENVOLVESSE O SURFE E A NATAÇÃO, OU ISSO VEIO DEPOIS? VOCÊ JÁ TRABALHAVA COMO GUARDIÃO NA BARRA DESDE O INÍCIO? O QUE VOCÊ FAZIA ANTES? QUANDO VOCÊ COMEÇOU A TRABALHAR COMO GUARDIÃO, COMO FOI O SEU CURSO DE FORMAÇÃO E AONDE FOI O SEU CURSO?

P.C.: Quando eu fazia o Bodysurf mais jovem, eu comecei trabalhando em coisas totalmente diferentes disso. Eu trabalhei em banco, trabalhei na alta costura – incrível, não? trabalhei na alta costura! – e depois disso fui trabalhar com o Surfe.

Fui vendedor em uma loja de Surfe chamada Insane, em Ipanema, por 12 anos. Ali, às vezes na hora do almoço a gente fugia e pegava umas ondas. Quando dava para dar uma corrida também, eu corria por lá. E quando saía do trabalho, nos dias em que dava eu vinha sempre na Barra à noite correr.

No sábado e domingo, quando o mar ficava legal, eu praticava o meu Surfe de Peito. E a uma certa altura, percebi que poderia trabalhar como Guardião de Piscina.

O que eu queria ser mesmo era Guarda-vidas. Cheguei a fazer prova, mas infelizmente não consegui porque tive um problema de doença e isso me atrapalhou, não consegui fazer a prova física. Mas já tinha feito o curso de Guardião, que foi em Botafogo, no ano de 2002. Esse curso ficou famoso como um dos melhores cursos de Guardião que já houve, com os instrutores Nelson Borges, Dinoelson, Freire, Lopez… Esses caras foram os meus professores e, vou te dizer, “casca-grossa” pra caramba!

E dali eu comecei a trabalhar, e vi que podia continuar a praticar o Bodysurf.

P.C., em seu habitat natural.

P.C., em seu habitat natural.

SurfingPedagogy.com: P.C., NESSES ANOS TODOS EM QUE VOCÊ FREQUENTA A PRAIA DA BARRA DA TIJUCA, O QUE VOCÊ ACHA QUE MUDOU PARA MELHOR, E PARA PIOR, NA PRAIA DA BARRA DA TIJUCA?

P.C.: Bom, observando a natureza a areia era muito mais fina, muito mais limpa. A água, muito mais clara também, sem poluição. Devido ao crescimento urbano, temos agora uma poluição enorme.

Além disso, nós tínhamos aqui na nossa praia o tatuí, e hoje a gente não vê tatuí na praia… Não tem mais! A gente não acha esse tipo de animal.

Além do mais, os governantes também deixam a desejar. O bairro cresceu muito, e um pouco “largado”. Para quem convive dentro da Barra todos os dias, a gente vê que o bairro não está sendo tratado da forma que deveria, para os turistas que vêm aqui poderem andar nessa praia limpa, e à noite poderem ver uma praia bonita… É um pouco triste. As nossas águas aqui da praia, tanto da Barra, do meio da Barra quanto do Recreio, estão sofrendo com a poluição – isso é chato pra caramba, coisa que não existe, por exemplo, no Havaí.

Nunca fui ao Havaí, mas vejo programas que passam de lá, e relatos de pessoas que já foram, e falam que é uma natureza que não dá pra imaginar: uma sociedade em pleno crescimento, maior do que aqui, e com um tratamento ecológico muito melhor. Eu queria que aqui fosse assim! Que as pessoas fossem mais educadas, que viessem à praia e trouxessem o seu saquinho de lixo, com as suas latas, garrafas. Não porque vem à praia, usa e vai embora, “eu não moro aqui, que se dane”… Eu sou um que moro aqui do lado, que venho e quando vejo uma garrafa na areia eu cato, jogo na lata do lixo. E peço às pessoas que estão na praia que tratem da areia, deixem ela limpa. Mas, enfim, é uma formiguinha trabalhando no dia-a-dia. Queria que todos tivessem essa consciência de manter a praia limpa, para que no futuro, para quem vem daqui a 15, 20 anos, continuasse pegando ainda essa praia gostosa, com a beleza que tem – mas sendo tratada.

Pessoal, vamos ouvir o P.C.! A Natureza agradece.

Pessoal, vamos ouvir o P.C.! A Natureza agradece.

SurfingPedagogy.com: P.C., SOBRE AS PESSOAS QUE VÊM À PRAIA HOJE – INCLUSIVE OS SURFISTAS E OS INICIANTES –, VOCÊ ACHA QUE O GRAU DE CONHECIMENTO, DE COMPREENSÃO QUE ELES TÊM DO MAR, DA ARREBENTAÇÃO, DAS CORRENTES, É BASICAMENTE O MESMO DOS SURFISTAS QUE VINHAM À PRAIA ANTIGAMENTE? VOCÊ VÊ ALGUMA DIFERENÇA NISSO? VOCÊ ACHA QUE AS PESSOAS HOJE CONHECEM BEM O MAR, OU SE AVENTURAM UM POUCO SEM NOÇÃO?

P.C.: Não, a galera que pega onda mesmo, que já é natural daqui e que pega onda, até estuda, observa primeiro como está o mar. Com o mar grande também, poucos entram, só entram aqueles que são os “casca-grossa” mesmo, profissionais e até os amadores mesmo que pegam onda bem. E o que atrapalha para os próprios salva-vidas, que têm que ficar com total atenção, são os desavisados de final de semana, feriados, que vêm, principalmente de fora, e não respeitam os salva-vidas, que chamam sempre a atenção para os perigos. Eu ajudo eles pra caramba, até procuro ajudar falando para as pessoas tomarem cuidado. Eles bebem, não respeitam e aí criam problemas.

Tanto que no domingo de carnaval eu ajudei a salvar um cidadão que fez exatamente isso. Não respeitou, achou que o mar tava tranquilo, entrou e criou problema.

Enfim, todas as pessoas que vêm ao mar, antes de entrar primeiro precisam olhar. Se virem uma bandeira vermelha, isso sinaliza que ali tem uma vala. Não entrar nessa vala, e procurar um banco de areia para tomar um banho, mas não abusar para não criar problema. Porque “o mar não tem cabelo” (não tem onde se segurar) e segundo, não quer saber quem você é; ele nos oferece boas ondas mas precisamos antes conhecê-lo bem.

SurfingPedagogy.com: P.C., VOCÊ JÁ FEZ SALVAMENTOS NA PRAIA, ALÉM DAS PISCINAS NAS QUAIS VOCÊ TRABALHA E JÁ TRABALHOU?

P.C.: Já. Na praia e nas piscinas também.

Em certos condomínios os pais são um pouco mal educados. Acham que você não é uma pessoa de responsabilidade, que você está trabalhando ali apenas para constar. Muitos têm essa teoria. É o respeito pelo profissional. Eu graças a Deus já tive sorte de tirar filho de alguns moradores. Graças a Deus não foram situações tão graves. Com a minha responsabilidade, eu tenho sucesso.

E aqui na praia eu sempre fico atento. Quando eu vejo alguém querendo já levar o perigo, eu procuro sempre ajudar.

Parabéns e muito obrigado pelo seu exemplo inspirador, P.C.!

Parabéns e muito obrigado pelo seu exemplo inspirador, P.C.!

SurfingPedagogy.com: P.C., VOCÊ GOSTARIA DE DEIXAR UMA MENSAGEM FINAL PARA OS NOSSOS AMIGOS LEITORES?

P.C.: Bom, eu queria dizer para todas as pessoas que frequentam a praia – tanto Copacabana, Ipanema, Leblon, Prainha, Grumari, Recreio, Piscinão de Ramos –, tenham cuidado e, outra coisa, zelem por esta praia. Vamos zelar pela nossa areia, pelo nosso mar, isto aqui é nosso! Felizmente nós não estamos pagando para frequentar a praia. Porque em outros lugares pessoas para ter acesso têm que pagar para entrar em algumas praias. É triste.

E graças a Deus aqui nós temos esta coisa bela que Deus nos dá, e nós temos que zelar mais, temos que cuidar mais disto aqui, fazer do nosso terreno uma coisa boa. E é isso que eu peço para todas as pessoas que venham sábado, domingo, ou que venham durante a semana. Vamos trazer o saquinho de lixo, vamos botar a garrafa de cerveja, a latinha, no saquinho e procurar jogar nas latas de lixo, deixar a praia limpa. Porque nós que corremos todo dia aqui também, nós podemos sofrer sérios danos, então vamos evitar isso.

Eu agradeço a todos aqueles que venham e mantenham a praia limpa, se possível – eu agradeço a vocês. Muito obrigado!

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