Perspectiva Sistêmica

“Desmembramento pedagógico do ato de surfar em um processo ordenado de unidades, cada uma encerrando um conjunto previamente definido de conteúdos específicos e progressivos, apresentando aos estudantes blocos de informação simplificados, um por vez, em volume e complexidade tais que favoreçam a consolidação da aprendizagem motora necessária ao estudo dos conteúdos seguintes”

Nosso sistema visa garantir que todos os pré-requisitos tenham sido, de fato, adquiridos antes de avançarmos de um estágio anterior à fase seguinte. Isto se torna possível na medida em que: (i) iniciamos os estudantes com uma prática passo-a-passo, sustentando a necessidade de não acelerarmos o processo de aprendizagem pelas vias da assistência física externa ou instrução verbal indevida; (ii) desenvolvemos uma percepção realista dos riscos à nossa volta, e dos pontos fracos que precisamos melhorar, objetivando ampliar nosso nível de segurança e autonomia marítima.

Nosso objetivo primeiro é prover os estudantes com experimentações motoras não-auditivas continuadas, empregando uma combinação de estilos de ensino (MOSSTON; ASHWORTH, 1986) que os faça meditar e considerar a propriedade da estrutura geral de nossa proposta.

Iniciamos as aulas com uma sessão formal de treinamento físico na qual prevalece o estilo por comando; nesta parte, o comando por voz é permitido no sentido de desenvolver nos estudantes o seu senso de disciplina e um estado de atenção permanente. Nas atividades subsequentes, os estudantes são encorajados a se debruçarem sobre uma dada situação-problema, abrindo caminho para os estilos de descoberta orientada e solução de problemas; neste ponto, os professores mais orientam o roteiro do processo do que nele interferem, incentivando a atividade cognitiva dos estudantes; instruções orais podem ser fornecidas no início e ao final das atividades, para explicar e analisar, mas que devem ser minimizadas durante o seu desenrolar.

Em enfrentando os obstáculos naturais do ambiente sem a ajuda física direta dos instrutores, os estudantes acabarão conhecendo suas próprias limitações, concordando que precisam expandir sua autonomia marítima antes de lidar com situações mais complexas (cenários menos estáveis, previsíveis, manipulação de objeto, etc.), e passando a perceber a praia como um ambiente de treinamento altamente específico e bem equipado ao aspirante consciente do esporte.

Uma vez que os estudantes já não tenham dúvidas quanto à importância de se submeterem a um processo de ensino mais elaborado e que garanta a vivência de etapas fundamentais do seu aprendizado, terão então compreendido por que o trato com a prancha de surfe se inicia não antes da Unidade 6 (“Familiarização Terrestre com a Prancha”).

Tal processo de ensino passo-a-passo implica um progresso sólido e crescente no desempenho dos estudantes, tornando-os conhecedores de cada conteúdo a ser estudado por unidade.

Ao não receberem assistência motora direta, asseguramos que o progresso dos estudantes seja mérito exclusivamente próprio, e que a segurança durante a prática esteja dentro dos seus limites pessoais. No caso em que deliberadamente uma outra pessoa interferisse com auxílio físico, isto poderia significar colocar os estudantes diante de uma situação cujo nível de dificuldade eles provavelmente ainda não estivessem preparados para enfrentar. Alertaremos sobre efeito ergogênico e a autonomia de estudantes despreparados na seção seguinte, Natação Marítima.

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