Primeira aluna certificada pelo Prof. Bruno Castello da Costa

Prezados Amigos,

Nossa entrevista de hoje é com Isabelle Kossin, a primeira aluna do método Conscientização Orientada da Prática do Surfe.

Isabelle Kossin esteve presente, como aluna do Prof. Bruno Castello da Costa, ao longo de todo o processo de desenvolvimento do método de ensino do seu grupo de pesquisa na UERJ.

Isabelle Kossin esteve presente, como aluna do Prof. Bruno Castello da Costa, ao longo de todo o processo de desenvolvimento do método de ensino do seu grupo de pesquisa na UERJ (foto: Claudio Ferreira).

Amante de MPB, da Natureza e do Rio de Janeiro, Isabelle nos relata impressões, curiosidades, dificuldades, descobertas e prazeres que encontrou em sua jornada de aprendizagem junto ao Prof. Bruno Castello da Costa, no projeto-piloto do curso Educação Marítima & Surfe.

Esperamos que gostem da história: vamos a ela!

***

SurfingPedagogy.com: BOM DIA, ISABELLE. TUDO BEM? PODERIA SE APRESENTAR ÀQUELES QUE AINDA NÃO A CONHECEM, POR FAVOR? OBRIGADO.

Isabelle: Olá, bom dia. Meu nome é Isabelle Kossin. Sou da Alemanha, e hoje em dia moro em Nova York.

SurfingPedagogy.com: ISABELLE, QUAL É A SUA PROFISSÃO? E VOCÊ POSSUI ALGUM HOBBY?

Isabelle: Sou musicista e compositora. Gosto de fotografia e de viajar; gosto muito de andar de bicicleta, e agora comprei um skate. E eu amo o mar, gosto muito do verde da Natureza – até das montanhas –, mas o que eu mais gosto é do mar.

SurfingPedagogy.com: EM QUE ÉPOCA VOCÊ VIVEU NO RIO DE JANEIRO?

Isabelle: Eu vivi no Rio de 2004 a 2013.

SurfingPedagogy.com: QUAL FOI A RAZÃO INICIAL DE VOCÊ TER ESCOLHIDO MORAR NO RIO?

Isabelle: Eu vim a passeio, com uma amiga, antes de terminar o ensino médio. Fiquei muito encantada com a cidade, e resolvi fazer faculdade aqui depois. Então, em 2004 voltei para iniciar a faculdade.

SurfingPedagogy.com: VOCÊ CONCLUIU A FACULDADE? E O QUE MAIS VOCÊ ACABOU FAZENDO NESSES 10 ANOS EM QUE MOROU AQUI?

Isabelle: Concluí sim, e depois fiz um mestrado. Além disso, passei a frequentar a faculdade de música – procurei estudar muito a música aqui.

Bem cedo, mais para o início da minha estada, comecei a fazer aulas com o Prof. Bruno Castello da Costa, e isso tomou grande parte da minha vida aqui, foram muitos anos.

Fiz muitos amigos, aprendi sobre a cultura brasileira e melhorei o meu português. Morei em vários bairros, cheguei a viver várias vidas dentro de uma mesma cidade que é tão diversificada, não é mesmo? Comecei morando em Copacabana, depois vim para a Barra da Tijuca, Leme, Tijuca, Urca e de volta a Copacabana.

Isabelle adora o contato com o mar e a Natureza. Na Barra da Tijuca ela descobriu um caminho para aprofundar essa relação.

Isabelle adora o contato com o mar e a Natureza. Na Barra da Tijuca ela descobriu um caminho para aprofundar essa relação (fotos: divulgação).

SurfingPedagogy.com: COMO SE DEU O INÍCIO DA SUA RELAÇÃO COM O MAR, E COM O PROF. BRUNO CASTELLO DA COSTA?

Isabelle: Desde criança, sempre frequentei muito o mar – tendo, inclusive, experimentado o windsurfing e o mergulho –, quando passava as férias em outros países com a minha família.

Quando vim morar aqui, foi em Copacabana que comecei a entrar no mar. Eu já sabia nadar, mas sem noção alguma.

Através de uma amiga – que me chamou para morar na Barra da Tijuca com ela –, comecei a ter contato com um grupo de surfistas que moravam na mesma casa. Essa casa era a base do CTSurf, um centro de iniciação e treinamento avançado do empresário Bruno Moreira e do bodyboarder e professor Marcello Pedro. Foi aí que eu conheci o Prof. Bruno Castello, ele dava aulas na escolinha do CT.

Inicialmente, nossa ideia era tê-lo como personal trainer. Porém rapidamente acabamos mudando o foco do treinamento, e o mar foi tomando cada vez mais espaço dentro das nossas aulas. E assim iniciou-se o meu estudo do mar: porque antes eu tinha uma apreciação – e uma certa intimidade –, mas nenhum conhecimento do mar, e esse primeiro contato aqui na Barra me proporcionou o início desse estudo.

SurfingPedagogy.com: E COMO FOI QUE O SEU TREINAMENTO, INICIALMENTE FÍSICO, ACABOU SE TRANSFORMANDO EM UM CURSO DE APRENDIZAGEM SOBRE O MAR E AS ONDAS?

Isabelle: Como eu disse, iniciamos um treinamento de personal training, correndo na praia, fazendo abdominal, esse tipo de coisa – isso foi no início do desenvolvimento da teoria do Prof. Bruno Castello. À medida que a pesquisa do seu método avançava, naturalmente a nossa aula também se modificava.

Eu acho que foi uma relação meio simbiótica. O meu interesse pelo estudo do mar foi aumentando, e simultaneamente me parecia que, para o Prof. Bruno Castello foi ficando cada vez mais claro que as escolinhas de Surfe não forneciam o conhecimento que ele desejava transmitir, e que na verdade não existia nenhum material escrito que passasse o que ele considerava importante ensinar.

Então o meu interesse de aprender isso – que inicialmente não foi o Surfe de Peito, mas sim a Natação Marítima, o conhecimento do mar –, foi crescendo junto com uma ‘chama interna’ do Prof. Bruno Castello de colocar isso dentro de um método.

SurfingPedagogy.com: VOCÊ JÁ HAVIA TIDO CONTATO ANTERIOR COM O ENSINO DO SURFE? DE QUE FORMA ACREDITA QUE O TRABALHO DE EDUCAÇÃO MARÍTIMA DO PROF. BRUNO CASTELLO SE DIFERENCIA DOS SERVIÇOS DAS TRADICIONAIS ESCOLINHAS DE SURFE?

Isabelle: Eu cheguei a fazer algumas aulas de Surfe de escolinha tradicional, mas foram poucas. Cheguei a comprar uma prancha e, obviamente, eu não sabia nada do mar, não sabia aproveitar a correnteza a meu favor, não sabia nada. Foi tudo sorte!

Eu acho o método do Prof. Bruno Castello revolucionário, porque ninguém ensina o que ele ensina; tem muita gente que deve entender o que ele entende, mas não sabe passar, porque para essas pessoas se trata de um conhecimento subconsciente. O Prof. Bruno Castello conseguiu de certa forma ativar esse conhecimento, analisando racionalmente coisas que as pessoas que aprenderam através do “Método Natural” geralmente não sabem explicar, e nunca analisaram: por que ‘que’ cai aqui? por que ‘que’ faz isso? por que ‘que’ não faz aquilo? etc. E ele foi aperfeiçoando isso, cada vez mais – e eu acho isso revolucionário!

Dessa forma, esse estudo profundo do mar, o autoconhecimento dos próprios limites, a interação do corpo com a água – um ambiente selvagem… É revolucionário.

E tudo isso, a ideia desde o início foi a da grande autonomia – um equilíbrio: ele dá muito apoio ao aluno, ele tem muito respeito pelo aluno, ele exige muito respeito pelo seu trabalho, mas ao mesmo tempo ele dá muita autonomia. É como se fosse uma criança que consegue correr dentro de um cercado, mas isso num ambiente selvagem. Não sei se isso vai soar um pouco estranho, mas… Isso, com um professor tradicional de Surfe não acontece, seria uma criança ‘encoleirada’. Isso é que é muito diferente, então eu acho isso revolucionário.

Porque isso também faz você perceber melhor o ambiente ao seu redor, e faz você se entender melhor também. Porque não tem ninguém para te empurrar para dentro da onda, não tem ninguém para te empurrar lá para fora, para passar pela arrebentação… É você. E ele vai gradativamente realizando isso com o aluno, dentro da sua realidade – isso é revolucionário!

Por favor me desculpem, mas as outras pessoas passam uma realidade totalmente distorcida, de certa forma disfarçando a situação real, verdadeira do aluno, com conhecimento deles. E isso se propaga quando você está corpo a corpo dentro d’água, quando a pessoa está te segurando, segurando a prancha, empurrando você, te puxando. Você mistura a sua realidade com a do aluno: se eu consigo entrar em um mar de dois metros com você em uma aula normal, eu vou achar que consigo fazer isso sozinha também.

SurfingPedagogy.com: APENAS UM BREVE PARÊNTESE: VOCÊ MENCIONOU AGORA A EXPRESSÃO “MÉTODO NATURAL”; PODERIA NOS EXPLICÁ-LA, POR FAVOR?

Isabelle: No caso da pesquisa do Prof. Bruno Castello, o “Método Natural” é a forma como as pessoas aprendiam a surfar antes da existência das escolinhas de Surfe, até a década de 1980 no Rio de Janeiro. Era você aprender com outras pessoas, observando e fazendo, sem uma aula, sem um professor que te empurrasse para dentro da onda; você persistia por conta própria com seus amigos.

SurfingPedagogy.com: O QUE SIGNIFICA O CERTIFICADO QUE VOCÊ RECEBEU DO PROF. BRUNO CASTELLO – “NADADORA DE ZONA DE ARREBENTAÇÃO” –, E POR QUANTO TEMPO VOCÊS FIZERAM AULAS JUNTOS?

O Prof. Bruno Castello da Costa aproveitou esta visita de Isabelle para presenteá-la com o primeiro certificado emitido pelo método Conscientização Orientada da Prática do Surfe.

O Prof. Bruno Castello da Costa aproveitou esta visita de Isabelle para presenteá-la com o primeiro certificado emitido pelo método Conscientização Orientada da Prática do Surfe.

Isabelle: Para mim, esse certificado simboliza aquilo que eu conquistei junto com o Prof. Bruno Castello, fazendo esse trabalho que durou 7 anos. E justamente o que eu sinto, é que hoje eu tenho o bom senso de reconhecer o ambiente selvagem, o risco a ele associado, a minha condição e as minhas limitações, o que estou e o que não estou apta a fazer ali. Sinto que a confiança que eu tenho na minha percepção do mar é a mesma confiança que o Prof. Bruno Castello deposita no meu bom senso.

SurfingPedagogy.com: E DENTRO DESSE TRABALHO QUE VOCÊS DESENVOLVERAM, COMO FICOU A QUESTÃO DA PRANCHA DE SURFE, PROPRIAMENTE DITA?

Isabelle: A natação marítima – e todo esse conhecimento do mar – é a base, na verdade, para todos os esportes aquáticos que se passam aqui na beira da praia. Então, sendo Bodyboarding, Long, Pranchinha ou Surfe de Peito – ou até mesmo a própria natação –, a base é a mesma.

Depois do aprendizado das primeiras etapas, o Prof. Bruno Castello chegou a abrir essa possibilidade para mim, dizendo que eu podia optar – se tivesse interesse – em aprender o Surfe de prancha. Mas na verdade eu nunca desenvolvi um interesse maior, e fiquei mais para o Surfe de Peito – que eu acho mais imediato, o contato com a água é mais imediato. Mas uma coisa jamais impede a outra: pelo contrário, é a base para todos os esportes aquáticos que se passam na beira da praia.

SurfingPedagogy.com: TENDO AGORA ACUMULADO ESSA EXPERIÊNCIA EM EDUCAÇÃO MARÍTIMA E SURFE, COMO VOCÊ VÊ HOJE A QUESTÃO DAS MUITAS PESSOAS QUE PROCURAM INICIAR-SE NO ESPORTE? SE PUDESSE, LHES DARIA ALGUM CONSELHO?

Isabelle: É muito importante fazer essa diferenciação: uma pessoa que quer aprender o esporte, de uma pessoa que quer se divertir (em cima de uma prancha, durante as férias de duas semanas, etc.). Isso é essencial.

Para qualquer pessoa que queira aprender o esporte, eu acho o aprendizado da Educação Marítima essencial.

Se for a mera diversão – uma coisa dentro de uma realidade controlada, de uma situação controlada –, se não houver nenhum tipo de interesse em aprofundar o conhecimento do esporte – ou em surfar sozinho –, não vejo problema. Neste caso, eu apoio o modelo antigo das escolinhas de Surfe: vai ficar em pé no primeiro ou no segundo dia, pode tirar uma foto para as redes sociais e está ótimo.

Agora, se houver qualquer desejo em aprofundar o conhecimento do esporte, ou qualquer desejo em ter autonomia de poder entrar na água sozinho, é essencial e pode representar uma questão de sobrevivência – de vida ou morte.

Mais do que entender a teoria por trás do ambiente, Isabelle pôde sentir na pele uma série de aspectos do relevo submarino que influenciam o Surfe, na mais variada gama de configurações meteorológicas.

Mais do que entender a teoria por trás do ambiente, Isabelle pôde sentir na pele uma série de aspectos do relevo submarino que influenciam o Surfe, na mais variada gama de configurações meteorológicas.

SurfingPedagogy.com: VOCÊ JÁ LEU O LIVRO CONSCIENTIZAÇÃO ORIENTADA DA PRÁTICA DO SURFE? QUE IMPORTÂNCIA VOCÊ VÊ, NESSE LIVRO, PARA OS PROFESSORES E ESTUDANTES DE EDUCAÇÃO FÍSICA, E TAMBÉM PARA ALUNOS E ENTUSIASTAS DO ESPORTE?

Isabelle: Eu li o livro – com certeza! O livro, essa metodologia, é uma grande análise de tudo o que um professor de Surfe deveria saber – e espero que eles saibam –, mas que provavelmente ainda não tenham adquirido plena consciência sobre muitas de suas nuances. É essencial, certamente irá ajudar. Já está tudo analisado, posto em palavras. Muitas coisas que são aparentemente instintivas, ao analisarmos o trabalho percebemos que podem ser explicadas. Um trabalho de anos, em colaboração com as demais áreas: a psicológica, a ambiental, a parte do corpo humano, a biomecânica, tudo isso. Tudo isso entra, são coisas que dificilmente um professor de Surfe vai ter na ponta da língua.

Então é uma base incrível para facilitar o trabalho, e para o aluno é essencial. É o que eu vivo falando – porque não existe nada parecido –, é um mundo, é um mundo que se abre. E para isso você não precisa nem entrar na água: só de olhar para o mar, com o conhecimento do livro você já vai ver o mar de uma outra forma.

SurfingPedagogy.com: COMO VOCÊ SE SENTE, TENDO PARTICIPADO ATIVAMENTE AO LONGO DE TODO O PROCESSO DE PRODUÇÃO DO MÉTODO COPS?

Isabelle: Eu tenho muito orgulho de ter participado desde o início. Porque o Prof. Bruno Castello é um ser humano incrível, com uma visão revolucionária que a maioria das pessoas não entendia, e hoje em dia está ficando cada vez mais clara a necessidade do trabalho que ele escreveu – uma herança que ele deixou para a humanidade! Eu sei que não existe nada igual, e é revolucionário: essa abordagem, desse esporte, dessa forma, não existe igual!

O contato com o mar, as ondas e a Natureza é algo que Isabelle aprecia enormemente, e que ela pretende cultivar sempre – aonde quer que esteja.

O contato com o mar, as ondas e a Natureza é algo que Isabelle aprecia enormemente, e que ela pretende cultivar sempre – aonde quer que esteja.

SurfingPedagogy.com: VOCÊ PRETENDE VOLTAR AO RIO E/OU RETORNAR PERMANENTEMENTE AO SURFE EM OUTRAS PRAIAS?

Isabelle: Eu pretendo retornar sempre ao Rio – ao mínimo para passar as férias. Mas agora, daqui a duas semanas eu vou me mudar – de Nova York para a Califórnia –, justamente para poder incluir novamente esse ambiente na minha vida, e retomar esse contato diário com o mar.

SurfingPedagogy.com: CARA ISABELLE, FOI UM GRANDE PRAZER A OPORTUNIDADE DESTA ENTREVISTA. AGRADECEMOS A SUA ATENÇÃO, E DESEJAMOS-LHE FELICIDADES E SUCESSO EM SUA CARREIRA. GOSTARIA DE DEIXAR UMA MENSAGEM DE DESPEDIDA AO NOSSO PÚBLICO?

Isabelle: Uma mensagem que eu quero deixar é que, quem puder, qualquer pessoa que tenha algum interesse no mar deveria ler o livro. E quem tiver chance, quem estiver aqui no Rio, tente fazer umas aulas com o Prof. Bruno Castello – ou ter contato com ele. Porque agora ele acabou de ter uma filha linda, e quando tiver cinco filhos ele provavelmente não vai mais dar aula. Então melhor aproveitar logo!

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