Prof. Bruno Castello da Costa fala ao Instituto Unidos pela Vida

É quase unanimidade que o verão é uma das melhores estações do ano. Vai dizer que não é tudo de bom curtir uma praia ou aproveitar a tarde na piscina?!

Uma alternativa para quem quer aproveitar os meses de calor e ainda se exercitar é, sem dúvidas, o Surfe. O Prof. Bruno Castello da Costa, que orienta a inclusão de atividades voltadas para o Surfe junto ao Instituto Unidos Pela Vida e à Equipe de Fibra, conversou com a gente sobre o esporte.

Prof. Bruno Castello da Costa.

Prof. Bruno Castello da Costa (foto: divulgação).

– Quais são os primeiros passos para quem quer começar a se exercitar?

O ideal é procurar a orientação de um professor/profissional de Educação Física com cuja filosofia de trabalho o interessado mais se identifique. O professor poderá aplicar um questionário – a fim de conhecer melhor suas particularidades, preferências e objetivos – e, dependendo do seu perfil, poderá também solicitar um teste de esforço com médico especializado em Medicina do Exercício antes de iniciarem o programa de exercícios.

– Por que o acompanhamento médico e profissional é importante?

O risco inerente à prática de exercícios físicos será minimizado através do acompanhamento médico – o qual deverá ser mais ou menos estrito, a julgar pelo perfil do praticante – e das atividades de planejamento, orientação e supervisão do professor/profissional de Educação Física – atividades estas que, ademais, cumprirão o objetivo adicional de maximizar a eficiência do programa de exercícios prescrito.

– O que é Surfe? Todos podem praticar essa atividade?

Existem diferentes formas de definirmos o Surfe. A princípio, poderíamos pensar na prática de, literalmente, pegarmos ondas.

Da língua inglesa, a palavra surf significa zona de arrebentação de ondas. Nesse contexto, a sua variante surfing pode ser entendida como uma forma de relacionarmos a prática de uma atividade dinâmica e prazerosa àquele ambiente – isto é, à região da praia onde as ondas se rompem.

Como geralmente associamos a expressão “pegar onda” à sensação de deslizarmos numa onda, podemos surfar das mais variadas formas: “pegar jacaré” (Surfe de Peito, ou Bodysurfe), Bodyboard, Surfe de “pranchinha”, de “pranchão”, Surfe com o vento (Windsurfe, Kitesurfe), etc.

Para enriquecer ainda mais esse conceito, quem já teve a oportunidade de observar, por exemplo, gaivotas ‘flertando’ em voos rasantes junto à parede de ondas prestes a estourar, talvez também tenha tido vontade de dizer que as gaivotas estavam ‘surfando’ as ondas.

Pois numa visão mais profunda e holística, o Surfe pode ser visto independentemente de estarmos ou não, fisicamente, deslizando nas ondas: entrar em sintonia com o ritmo da Natureza; perceber em uma onda vazia a potencial trajetória que um surfista nela poderia seguir (a chamada “linha da onda”), e acompanhá-la do início ao fim com o nosso olhar; boiar ao sabor das correntes, aproveitando-as para sermos levados para além da arrebentação, e depois de volta à areia da praia com auxílio das ondas; essas ideias nos atraem, e sinalizam que, de uma forma ou de outra, já estamos surfando.

Todos podemos desenvolver sim essa atividade, cada um aperfeiçoando-se dentro da sua realidade, e aprendendo a seu jeito diferentes formas de se conectar com a energia das ondas.

O Prof. Bruno Castello da Costa desenvolveu uma abordagem ao Surfe baseada na conscientização acerca do ambiente das ondas, e na natação aplicada a esse contexto (foto: Bruno Dana).

O Prof. Bruno Castello da Costa desenvolveu uma abordagem ao Surfe baseada na conscientização acerca do ambiente das ondas, e na natação aplicada a esse contexto (foto: Bruno Dana).

– O Surfe é um esporte que dá mais resistência, se comparado aos outros?

O Surfe trabalha o nosso corpo de maneira bastante diversificada. Nele passamos aproximadamente metade do tempo remando, e uma outra boa parte esperando as ondas.

Estamos falando, assim, de um esporte no qual intercalamos esforços de diferentes intensidades, sem esquecermos daqueles inevitáveis momentos em que prendemos a respiração e ficamos embaixo d’água, o que certamente ocasiona grandes benefícios principalmente às Pessoas de Fibra, por se tratar da água do mar.

Embora não possamos afirmar exatamente que o Surfe ‘dê mais resistência’ que outros esportes (por motivos relativos à Fisiologia do Exercício), é certo que a sua prática, de maneira regular e responsável, acarreta diversos benefícios à saúde, e que portanto pode ser vista com bons olhos, como estratégia válida sob a ótica da promoção tanto da Saúde e da Qualidade de Vida, como da Educação Marítima e do Esporte, propriamente dito.

– Qualquer pessoa pode surfar? Quais são as exigências de idade, tamanho, etc?

Qualquer pessoa pode se aventurar a aprender mais sobre o mar, as ondas e as possíveis formas existentes para interagir com a sua energia.

Dentro da definição que propus duas perguntas atrás, tanto criancinhas quanto vovôs e vovós podem experimentar alguma forma de Surfe. Se você é magro(a), alto(a), gordinho(a), baixo(a), mais ou menos jovem, flexível, dentro ou fora de forma, isso não importa tanto. O mais importante é conhecer as formas mais adequadas a cada um de nós, para que possamos ‘brincar’ em segurança com o mar e os diversos elementos da topografia da praia que influenciam a formação das ondas e o vai-e-vem da água do mar.

O Bodysurfe (Surfe de Peito) assume um papel muito importante dentro dessa perspectiva orgânica de ensino do método do Prof. Bruno Castello da Costa (foto: Wagner Duque).

O Bodysurfe (Surfe de Peito) assume um papel muito importante dentro dessa perspectiva orgânica de ensino do método do Prof. Bruno Castello da Costa (foto: Wagner Duque).

– Qual é a sua mensagem de incentivo para pais, pacientes com Fibrose Cística, ou aqueles que desejam começar a surfar?

O Instituto Unidos pela Vida, com a Equipe de Fibra e seus demais projetos em prol das Pessoas de Fibra, é uma das propostas mais nobres que já conheci até hoje, no que toca à mobilização tão cuidadosa, profissional e altruísta visando objetivos de Educação em Saúde. A dedicação de todos os envolvidos já é, sem dúvida, um grande exemplo de como podemos colaborar para uma vida em sociedade mais rica.

Sabemos que na vida dependemos uns dos outros, e que temos muito mais a ganhar quando pensamos de forma coletiva. É bem legal testemunhar o Instituto como um forte modelo nesse sentido.

O engajamento de pais, amigos e profissionais, e principalmente a forma como as próprias Pessoas de Fibra participam, compartilhando histórias, conhecimentos, objetivos e metas, me inspira a querer ser uma pessoa melhor a cada dia.

O Surfe, por si só, já exerce grande fascínio em seus praticantes e entusiastas, muito em parte devido ao íntimo contato com a Natureza que caracteriza o esporte. Fico feliz que esse contato possa fazer um bem ainda maior no caso das pessoas com Fibrose Cística. No que eu puder auxiliar, vamos dando um passo de cada vez rumo à sua autonomia no ambiente das ondas.

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Link original da entrevista: http://unidospelavida.org.br/conheca-mais-sobre-o-surfe/

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