Só um empurrãozinho…

Todos prontos? Vamos nessa! (foto cortesia de http://flickr.bairdphotos.com/)

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Desde que empregado com parcimônia, podemos considerar construtivo aquele famoso empurrãozinho inicial com que tendemos a ajudar os novos surfistas a entrarem em suas primeiras ondas. No entanto, É PRECISO TER CUIDADO: tal prática pode acabar ‘mimando’ nossos alunos…

No surfe, tudo tem início através da nossa habilidade de lermos o ambiente, interpretando as pistas que ele nos fornece, e estando um passo à frente daquilo que vai acontecer a seguir. E isso requer muitas e muitas horas de contemplação espontânea, observação cautelosa e treinamento – supervisionado, de preferência.

Mas muitas pessoas que são atraídas pelo surfe alimentam fortes expectativas imediatas, certo? Especialmente se tratamos de crianças, é importante mantê-las motivadas dando-lhes ‘pitadas’ de como seria a sensação de surfar (ou, ao menos, de como eles imaginam ser). E neste sentido, empurrá-los em algumas ondas parece a decisão mais natural.

Então de que forma empurrar na onda poderia tornar-se prejudicial à aprendizagem? Considerando que o surfe é um esporte de coordenação tipicamente óculo-manual (respondemos àquilo que vemos), antes de mais nada precisamos saber exatamente o que é aquilo que deveríamos estar procurando enxergar. Se observarmos surfistas experientes em ação, não tardaremos a notar que os mesmos tendem a apresentar um padrão de comportamento incrivelmente similar. Isso se deve ao fato de que todos ali compreendem claramente o contexto no qual estão inseridos. E sendo assim, sabem o que é preciso fazer, em termos de posicionamento e sincronia, para pegar a próxima onda que aparecer.

Empurrar na onda em demasia pode acabar desviando a atenção dos alunos dessa perspectiva mais orgânica que deveríamos estar buscando preservar, dificultando a que mais tarde consigamos restabelecer o seu devido rumo.

Então antes de iniciarmos os empurrõezinhos, converse com os pais e explique a eles a sua estratégia (nossas chances de sucesso dependerão dramaticamente de obtermos o seu apoio incondicional). A seguir, seria necessário observar como as crianças se comportam na praia se lhes dermos liberdade para brincar (se mal podem esperar para molhar os pés na água, por exemplo, nosso trabalho já estará meio caminho andado). Dê-lhes instruções claras e simples – como se fossem os seus próprios filhos e, para início de conversa, você os quisesse apenas em segurança, brincando no raso e próximo ao seu olhar vigilante.

Essa observação inicial nos revelará os pontos fracos mais notáveis que as crianças apresentam mediante a exposição a tais condições, em termos do que mais os impede de atingir a necessária autonomia para lidar com a zona da arrebentação por conta própria (mantenha em mente os pontos observados!).

A esta altura da aula, também já deveremos ter adquirido alguma noção do temperamento dos alunos. A verdade é que iremos empurrá-los o mínimo que pudermos (situação ideal: nós não os empurramos, e eles não sentem falta de serem empurrados). Nossa intervenção deve ser o mais sutil e imperceptível possível. Deixe-os absorver ao máximo cada sensação e experiência que lhes tome a atenção. Busque antecipar-se, interrompendo-os apenas quando na iminência de começarem a perder o interesse naquilo que estejam fazendo, e aí então proponha apenas uma leve modificação à tarefa inicial.

Mantendo essa postura mais discreta ao longo de todo o restante da aula, concentre-se em bolar um conjunto personalizado de tarefas que, ao mesmo tempo em que nos permitam trabalhar os pontos fracos dos alunos, não comprometam esse estilo mais instintivo com que buscamos balizar a totalidade da nossa experiência pedagógica.

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